Finalista no Parapan-Americano do Rio-2007 e medalhista de prata no revezamento 4x100m das Paralimpíadas de Pequim-2008, Claudemir dos Santos, amputado da mão esquerda, teve sua carreira comprometida por conta de uma hérnia de disco. A lesão levou o atleta a ficar parado por seis meses. Em busca de tratamentos, Claudemir se surpreendeu ao descobrir que a solução estava nos seus pés. Com a ajuda de especialistas, desenvolveu uma palmilha de acordo com a sua pisada. Resultado: ele não só resolveu o problema na coluna como melhorou o seu desempenho na corrida.

Com uma bagagem no esporte, Claudemir sabia que cada pessoa tem uma pisada diferente. No entanto, imaginava que utilizar o tênis correto já era o suficiente para corrigir as curvas dos seus pés. Mero engano. Segundo o fisioterapeuta e especialista em podoposturologia André Torres, o tênis é uma ferramenta, mas não resolve todos os problemas da pisada.

Claudemir dos Santos atleta
Caption

— As palmilhas são os componentes de maior importância do calçado por estarem diretamente em contato com a sola do pé, onde estão os neuroreceptores responsáveis por enviar ao cérebro as informações sobre como pisamos — explica o fisioterapeuta. — Como a pisada é algo individual e único, é fundamental que a palmilha seja fabricada especificamente para cada pé. Não existe uma receita de bolo.

Na hora de moldar uma palmilha, além das curvas do pé, é preciso saber em que atividade essa “ferramenta” será utilizada. O volume, a densidade e outros elementos da palmilha podem variar de acordo com a modalidade esportiva. No basquete, por exemplo, o dedão do pé é mais utilizado do que no tênis, por exemplo. Quando se corre no asfalto, o calcanhar é a região que sofre mais impacto. A palmilha dever ser mis acolchoada nesta parte. Na areia, a parte dianteira do pé é mais exigida.

A palmilha certa proporciona uma melhor estabilidade e um menor gasto energético para o músculo. Para chegar ao modelo ideal, é preciso fazer um balanço de como o pé absorve o impacto e avaliar as características de propulsão da pisada em cada modalidade. Se, antes, Claudemir não pensava que a palmilha podia fazer a diferença em seu desempenho, hoje, ele não compete sem os modelos feitos para seus pés.

— Desde que comecei a treinar com a palmilha certa, consegui baixar o meu tempo, nos 100m rasos, em três décimos de segundo. Pode parecer pouco, mas esta diferença fez com que eu passasse mais de dez atletas no ranking da minha categoria — disse Claudemir.

A curto prazo, o uso da palmilha errada resulta em dores musculares. A longo prazo, os prejuízos podem ser bem maiores. Com a pisada alterada, o atleta sofre rotações na perna, desnivelando o quadril e resultando em lesões na coluna vertebral, como degenerações, hérnias de disco e artrose. André Torres explica que se a lesão atingir a região cervical, o atleta pode sofrer fortes dores de cabeça.

Além de prevenir lesões, as palmilhas também podem ter um uso terapêutico, auxiliando no tratamento de patologias, como lombalgias, discrepância de membros inferiores, pés chatos e cavos e joelhos valgos e varos. Para moldar a palmilha ideal para cada pé, é preciso fazer uma avaliação postural específica e criteriosa. O paciente coloca o pé sobre um equipamento que manda as informações da pisada para um computador. A consulta com a palmilha custa de R$ 250 a R$ 400.

— O investimento vale a pena. Saúde não tem preço — afirma Claudemir.

Em termos gerais, existem três tipos de pisadas, nas quais a indústria esportiva se baseia para produzir seus tênis. A pronada se caracteriza quando a parte de fora do calcanhar toca primeiro o chão e o pé inicia uma rotação para dentro e só depois se endireita. O oposto acontece na supinada. Em excesso, este tipo de pisada força os músculos e tendões que estabilizam o tornozelo, resultando em torção ou, até mesmo, na ruptura total dos ligamentos. O último tipo de pisada é a neutra. Ela é parecida com a pronada, mas o movimento de rotação do pé é menor. Os corredores com este tipo de pisada têm mais facilidade para encontrar calçados.

 

FONTE: http://www.mftriathlon.com/saude/o-conforto-comeca-pelas-palmilhas/