Durante longos seis meses, o empresário Gilson de Souza Silva, 44, sofreu com dores na coluna. Depois de procurar diversos especialistas e várias medicações, descobriu que para colocar um fim naquela agonia precisaria realizar uma cirurgia. Com muitas dores, buscou uma medida paliativa até o dia da intervenção.

“Fazia os exercícios e passei a usar uma palmilha para reorientar minha postura. Ao final de 15 sessões, as dores não existiam mais e não precisei fazer a intervenção”, conta, satisfeito.

A técnica de fisioterapia responsável pela cura do empresário é conhecida como podoposturologia e  consiste em alinhar a postura por meio de uma análise do e da pisada. De acordo com o fisioterapeuta especializado na técnica Geraldo Magalhães, as bases da correção postural não são meramente mecânicas, mas, sobretudo, neurológicas, por isso, a estimulação de determinados pontos nos pés possibilita a alteração da postura e, consequentemente, a correção dos desequilíbrios e das queixas e dores.

O fisioterapeuta destaca que o Sistema Nervoso Central se utiliza das informações dos neuroreceptores localizados na pele da região do pé (plantar) para organizar a postura com equilíbrio fisiológico, daí a estimulação nos lugares corretos, aliada a outras manobras, possibilita corrigir problemas como as dores nas costas (lombalgias), pernas, ombros e até mesmo dores de cabeça. “Muitos chegam à clínica com queixas no joelho, dor de coluna ou mesmo artrose. Uma vez que os padrões de correção são definidos, eles são transmitidos ao cérebro, que interpreta a retomada do equilíbrio”, esclarece o fisioterapeuta.

Para que o estímulo nos pés seja feito, inicialmente, o paciente precisa passar por uma avaliação – a plantigrafia – que detectará os problemas que determinam as desarmonias no centro do equilíbrio e verificará o tipo de pisada: plana, neutra ou estável.

“A avaliação dura entre 40 minutos ou uma hora e, nesse tempo, o profissional vai identificar as diferenças posturais na curvatura da coluna e na região pélvica. A partir daí, o fisioterapeuta prescreve a palmilha que vai realizar os estímulos e a correção.  “O molde é feito de acordo com o pé de cada indivíduo, por isso mesmo, uma palmilha que serviu para um não servirá para outro”, diz.

Prevenção
O fisioterapeuta explica que a confecção da palmilha é feita de material de alta absorção, chamado de etilvinilacetato e custa cerca de R150. Vale salientar que as palmilhas não servem apenas para tratar, elas podem ser usadas de forma preventiva ou ainda para aumentar o desempenho de atletas.

O também fisioterapeuta Robinson Cardoso destaca que a utilização da palmilha ajuda ainda a evitar entorses do tornozelo, desníveis no quadril, lesões no menisco, dores na coluna e doenças como esporão de calcâneo e artrose de joelho. “O ideal é que todas as pessoas façam palmilhas personalizadas, inclusive crianças, pois quanto mais cedo forem detectadas as alterações posturais mais efetiva será a prevenção de possíveis doenças”, explica Cardoso.

A possibilidade da palmilha melhorar a postura incentivou os promotores da Meia Maratona Farol a Farol, que será realizada no dia 4 de outubro, a oferecer gratuitamente a avaliação para todas as pessoas que se inscreverem na prova.

Segundo Robinson, a avaliação é muito importante para o desempenho de um corredor. “A palmilha melhora a distribuição das cargas no pé, diminuindo o índice de lesões”, afirma.

O fisioterapeuta  explica  que, durante a corrida, o calcanhar absorve boa parte do impacto quando há o contato com o chão, enquanto no antepé (parte frontal do pé, incluindo os dedos) ocorre o impulso, chamado de propulsão. “A palmilha reduz o impacto, aumenta a propulsão, diminui a pressão articular, a tensão muscular e o gasto energético, aumentando, assim, o desempenho do atleta”.

O organizador do evento e preparador físico Marcelo Affonso faz questão de lembrar que, com o exame, o corredor consegue se preparar e comprar o tênis  mais adequado antes da competição, otimizando a própria performance.

A podoposturologia é recente. Segundo Geraldo Magalhães, na década de 80 do século XX, o médico francês René Bourdiol, que sentia muitas dores no joelho, mas não abria mão de esquiar, percebeu que o incômodo era minimizado quando  utilizava um calço para a prática.

“A partir daí, começaram as pesquisas que estudaram a influência da pisada e da postura”, explica, pontuando que, ao contrário do que muita gente pensa, a postura não é definida pela forma de sentar, caminhar ou mesmo ficar de pé. Geraldo Magalhães salienta que a postura humana é determinada pelas chamadas entradas sensoriais e começa a se desenvolver ou deformar desde muito cedo.

Texto: Gustavo Boedo

Fonte: http://www.novafisio.com.br/nova-tecnica-de-fisioterapia-corrige-postura-e-coluna-com-tratamento-dos-pes-e-pisada/