O advogado Cristiano Prado de Albuquerque, 46 anos, passou os últimos três com dor crônica decorrente de uma fasceíte plantar, inflamação na estrutura de sustentação dos pés, geralmente provocada por pequenos traumatismos de repetição. A corrida, esporte praticado desde a adolescência, pode ter causado ou contribuído para o agravamento progressivo do quadro, que comprometeu o dia a dia de Cristiano. “Sentia dores horríveis, parei de correr, tentei diversas terapias que não resolveram absolutamente nada, pois não tratavam a origem do transtorno. Precisei usar bengala para conseguir andar e trabalhar. Minha autoestima foi abalada. A dor impedia minha locomoção. Tinha perdido a esperança, mas resolvi tentar as avaliações e terapias podoposturológicas. Hoje, sou outra pessoa”, revela.

A podoposturologia é uma abordagem da posturologia, método de correção de vícios posturais decorrentes dos desequilíbrios que comprometem a saúde tanto de atletas quanto de pessoas que não costumam fazer exercícios físicos. O sedentarismo afeta o equilíbrio corporal, principalmente em pessoas obesas, cujo centro de gravidade é deslocado para fora do polígono de sustentação — área em volta dos pés. A técnica previne e trata não apenas os sintomas das doenças relacionadas à postura, mas tudo aquilo que origina a desregulação da posição espacial do corpo. O fisioterapeuta Afonso Salgado, que trouxe a abordagem ao Brasil, explica que os bípedes — seres que andam com dois pés — têm quatro entradas sensório-motoras que podem alterar a regulação postural: os olhos, os ouvidos, a oclusão dentária e os pés.
 

A pisada pode refletir problemas decorrentes desse desequilíbrio, bem como determinar algumas disfunções no sistema postural. “Para fazer uma avaliação adequada, os fisioterapeutas que usam a podoposturologia usam o baropodômetro eletrônico, equipamento que capta a pressão exercida pelos pés com o corpo estático ou em movimento”, descreve. O instrumento é composto por uma plataforma ligada a um computador, que gera imagens coloridas e dados estatísticos que auxiliam no diagnóstico.

PODOPOSTUROLOGIA CORRIGE VÍCIOS POSTURAIS DO CORPO


A dor é sempre a maior queixa dos pacientes que procuram os profissionais da posturologia. “Avaliamos as entradas sensório-motoras. A plataforma testa os pés e detecta as oscilações posturais e o equilíbrio, apontando o local em que a pisada é mais forte ou deficiente. Isso é determinante para a correção, feita com exercícios e palmilhas confeccionadas com EVA”, acrescenta o fisioterapeuta.

A EVA é uma borracha feita da mistura de etil, vinil e acetato, material usado em calçados esportivos de última geração. A avaliação permite aos especialistas o planejamento do estímulo que o paciente necessita para reeducar a postura e equilibrar o corpo. O estímulo são as palmilhas elaboradas para reduzir o pico de pressão e distribuir a força de reação do solo em toda a região plantar.

Desalinho
Segundo Salgado, o corpo humano pode ser comparado a um carro que precisa de alinhamento e balanceamento, que proporcionam o bom funcionamento do veículo e aumentam a vida útil. “Se estamos desalinhados, toda a estrutura sofre danos. Muitos pacientes tomam anti-inflamatórios por anos seguidos sem resolver a causa da lesão”, reforça.

As dores nas costas lideram as queixas. Alterações no equilíbrio comprometem a região lombar, o quadril, os joelhos, os tornozelos e os pés. “Depois de fazer todas as avaliações, trabalhamos a correção da pisada. A palmilha reeduca a postura. No próprio teste, adaptamos os elementos responsáveis pela correção, colocando a EVA nos locais indicados pelo baropodômetro”, explica Danilo Saigg, um dos fisioterapeutas que aplicam a técnica em Brasília.

A podoposturologia também auxilia na prevenção de males da postura. Preocupada com uma dor na lombar que a incomoda há um ano, a fisoterapeuta Renata Teles, 23 anos, passou pela avaliação do badopadômetro. “A dor indica que algo está errado. Embora ela ainda não tenha comprometido minha vida, sei que devo corrigir o problema para não sofrer no futuro. Problemas posturais são progressivos”, observa. O teste de Renata apontou claramente que a pisada do pé esquerdo tem pouca pressão na parte anterior. “Ela descarrega o peso do corpo no calcanhar e isso é um fator comprometedor da lombar. Além disso, o arco do pé é desviado para dentro. Uma palmilha pode corrigir o problema e livrá-la da dor”, garante Danilo.

A professora de educação física Samara Costa, 24 anos, também tinha a pisada do pé esquerdo alterada. No caso dela, o peso do corpo era despejado na porção externa (pisada supinada). “A disfunção chegou a comprometer minhas atividades pessoais e profissionais. Corria cinco vezes por semana e tive que interromper essa rotina. Sentia dores fortes no calcanhar. Mal conseguia pisar. Trabalho em academia e fico em pé o tempo inteiro. O problema estava se agravando”, conta. A avaliação apontou a área do pé que precisava da correção e uma palmilha trouxe o alívio imediato da dor. “A palmilha me acompanha no dia a dia. Voltei a correr e nunca mais senti o incômodo”, revela.

Por: Márcia Neri

Fonte:http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/ciencia-e-saude/2010/03/28/interna_ciencia_saude,182473/index.shtml